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    April 04

    LIBERDADE

    Algazarra na praça
    Saltimbancos
    Fazem graça
    Uma criança ri,
    Um velho sorri...E eu free
    Prá viver a vida
    Que escolhi.

    ENTARDECER

    No eirado
    As heras se debruçam
    A balouçar lágrimas,
    Soluços...
    Porque é findo o dia.

    EXORCISMO

    Oh! Poesia
    Chega á mim
    Com teus versos.
    Plácidas rimas silentes.
    Canções dolentes
    De não encantamento.
    A cada momento te oiço
    No farfalhar
    Das folhas pelo vento
    Lamento de quem
    Na ponta da caneta
    Extravasa o sofrimento
    E cospe para bem longe
    O que se revela dentro.

    ****************

    Faço poesia
    Como quem saboreia um doce
    Não prá matar a fome
    Mas dar prazer ao espírito.
    Faço poesia
    Como quem pare um filho
    Só prá ver este brilho
    Que brota do teu olhar.
    Faço poesia
    Como quem faz sexo
    Muitas vezes sem nexo
    Só prá poetizar
    Faço poesia
    Como quem planta uma árvore            
    Com cerquinha de proteção
    Que é prá ninguém derrubar.
    Faço poesia
    Como quem chora lento
    Que é prá ninguém mais ver
    Molhar os meus sentimentos.

    NÃO NEGUES

    Não me negues
    A verdade que te habita
    O caminho
    Será o retrocesso.
    O abcesso instalado
    Tem seu lado mais sombrio
    Na dor da mentira
    Que atira
    Toda a credibilidade
    Na lata do lixo.
    Irracionalmente
    Bicho!

    ABANDONO

    Férreas palavras
    Lacerantes...
    Infantes
    Tão desvalidos
    De afetos.
    Doces e ternos afetos
    Cortados do binômio
    Vida e amor.
    E na dor causticante
    Perambula
    Com olhar distante.

    EU

    Sou árvore podada
    Fora da estação
    Sou folha de emoção
    Jogada ao vento
    Sou galho ao relento
    Despido e orvalhado
    Sou caule frondoso
    Ferido a machado
    ..........................................
    Mas viva e fecunda
    Sou broto brotando
    Sou fruto nascendo
    Flor enfeitando.
    Copa frondosa
    Sombra e remanso.

    NO ENTARDECER

    O enlevo de versos findos
    Sopram brisas de entardecer
    Que se aconchega
    Em corpo quente
    De lascivias e prazer.
    Luz crepuscular
    Submergindo                   
    Raios incandescentes...                 
    deixa brotar a noite
    Para que estrelas brilhem
    Num céu luminescente
    Ah! Essas brisas marinhas,Que a mim assentem.
    Refrescam com o aspergir das ondas
    O meu corpo no teu subjacente.

    PAISAGEM

    Algumas nuvens
    Asas
    Num vôo infinito
    O espaço!
    Um momento lasso
    Um raio de sol
    A se espraiar
    No arrebol.

    SONHOS

    És objeto de prazer
    Nos meus pensamentos fálicos
    És escuma de desejos
    Nos meus lábios cálidos
    És onda ilusória
    Onde barco navego                                  
    Pirata etinerante
    Do meu ego.

    ESTAÇÕES DA VIDA

    Há um tempo de verão
    Tempo criança
    Dias de sol descompromissados
    Dias dourados.
    Há um tempo de primavera
    Broto viçoso
    espalhando flores
    Galho teimoso
    Há um tempo de outono
    Tempo maduro     
    Desnudo e vivo                                                                          
    Caule seguro
    Há um tempo de inverno
    Tempo ocioso
    De frios e aconchegos
    Cinza e chuvoso.

    POEMINHA

    Jorram de frondosas copas
    Lágrimas quentes
    Sobre versos frios
    E inocentes.

    INDIZÌVEL

    É uma confusão
    A profusão de palavras
    Que lavram meus pensamentos
    Sementes a explodir rebentos
    Avessos ao tempo visível
    O não pensar é impossível
    E escrevo,
    E descrevo,
    E reescrevo
    E acabo crendo
    No indizível.

    SABEDORIA

    Aquieta teus anseios
    Com que alimentas
    Tuas angustias.
    A calma
    Das almas serenas
    Revelam as profundezas
    Dos leitos navegáveis.
    Teu peito arfa irrelevante
    Diante de olhos pacientes
    Que traduzem
    A sabedoria
    Dos experientes.

    DESEJO

    Está aqui
    Presente
    Está no corpo
    Na mente
    Nas minhas entranhas
    Quente
    Faz-me refém
    Mente
    Que não está sentindo
    Mas sente
    Sem dar sossego
    Latente
    Torna-me ansiosa
    Doente
    De um contato carnal
    Ardente.

    QUESTÂO DE TEMPO

    Vaso quebrado
    Estilhaços lançados
    Causando ferimentos
    Marcas de vento
    Varrendo lembranças idas
    Sara a ferida
    Aquieta o sofrimento
    Tudo passa
    Tudo acostuma
    Tudo é simplesmente
    Uma questão de tempo.

    REALIDADE

    O sono dos meus pensamentos
    Repousam nesta página
    Por acreditar que é aqui
    Que os sonhos
    São realidades grafadas
    Entre as linhas.

    PENSAMENTOS

    Na infinita linha do horizonte
    O sol se esconde
    Como escondidos estão
    Meus pensamentos.
    A linha é tênue
    Entre o pensar e fazer,
    E prá te fazer sonhar
    Vou me enfeitar
    De amanhecer.

    Partida

    Deveria saber
    Que partirias
    Como ave migratória
    Deveria ter percebido
    A história que te cabia.
    Deveria não ter acreditado,
    Nem sonhado,
    Nem poetizado
    A vida que tu querias
    Porque na verdade
    De tempos em tempos
    A realidade
    Já me dizia.

    DISTÂNCIA

    Numa passagem rápida
    Sobre meu longo tempo.
    Marcas do teu andar ficaram
    Pisando em meus sentimentos
    E em meu andar
    Fiz-me mais lento
    Para que a distância em nós
    Não causasse mais
    Tanto sofrimento.